A parábola do limoeiro

A parábola do limoeiro

Havia, certa vez, um homem muito rico que decidiu plantar um grande pomar em suas terras. Desejava frutos belos, doces e admirados por todos os visitantes que vinham de longe. Trouxe sementes das mais finas árvores estrangeiras: maçãs vermelhas, peras douradas, cerejas delicadas. Cada fruto parecia uma joia pendurada nos galhos.

No centro do pomar, porém, nasceu um pequeno limoeiro. Ninguém o havia plantado ali. Talvez uma ave deixara cair a semente. Talvez o vento a trouxera escondida na terra. O fato é que ele cresceu. Quando começaram a surgir seus frutos verdes e ásperos, os trabalhadores zombavam dele. “Que árvore estranha para este jardim” disse um deles. “Seus frutos fazem as pessoas franzirem o rosto” concluiu outro. “Não tem a doçura das outras frutas” acrescentou ainda outro.

E o limoeiro ouvia tudo em silêncio. Ao redor dele, os outros frutos eram celebrados. As maçãs eram servidas em festas elegantes. As peras adornavam banquetes. As cerejas eram colocadas sobre doces refinados. O limoeiro, entretanto, continuava ali.

Veio então um verão de calor intenso. Os viajantes chegavam cansados e sedentos. Muitos já não suportavam o excesso dos doces. A doçura constante lhes pesava na boca e no espírito.

Foi então que um velho servo do pomar tomou alguns limões, espremeu-os em água fresca e serviu aos viajantes.

E todos se admiraram. O azedo despertou os sentidos. O perfume trouxe frescor. A simplicidade trouxe alegria.

Alguns disseram: “Nunca provamos algo tão vivo”. Outros elogiaram: “Há força nesse fruto”. E houve ainda quem chorasse ao lembrar da própria infância. O dono do pomar observava tudo em silêncio.

Naquela noite, caminhou sozinho entre as árvores e parou diante do limoeiro. Tocou seu tronco e disse: “Você não nasceu para imitar as macieiras, nem para competir com as pereiras. Eu o permiti neste jardim porque há sabores que só você pode oferecer.”

E desde aquele dia, o homem passou a servir limões em sua mesa. Alguns visitantes ainda preferiam os frutos doces. Outros jamais entenderam o valor daquele sabor forte e simples. Mas os sábios do pomar compreenderam: há frutos que confortam pela doçura… e há frutos que despertam a alma.

Assim também é a música dos povos. Algumas canções vêm vestidas de seda, como os grandes corais das terras distantes. Outras chegam refinadas, suaves e perfeitamente polidas. Mas há também cânticos que nascem da terra vermelha, do calor, do violão gasto, da saudade, do lamento, da simplicidade do povo.

Talvez não tenham o sabor das músicas estrangeiras. Talvez tragam mais acidez que açúcar. Ainda assim, quando oferecidas com verdade diante de Deus, tornam-se refrigério para muitos.

Porque o Senhor do jardim não criou apenas maçãs. Ele também quis limoeiros.